Do pedido do cidadão à política pública: Como o orçamento transforma prioridades em entregas para Sergipe

Uma necessidade apontada por um cidadão, uma prioridade definida pelo Governo eum recurso público disponível podem parecer elementos separados, mas fazemparte de uma mesma engrenagem. É no planejamento e no orçamento que essespontos se encontram para que uma demanda possa sair do papel e se transformarem uma ação concreta. Em Sergipe, esse processo passa pela Secretaria Especialde Planejamento, Orçamento e Inovação (Seplan), tendo a Subsecretaria deProgramação Econômica e Orçamento (SPEO) como área responsável pela elaboraçãoe pelo acompanhamento da execução orçamentária do Estado. À frente dasubsecretaria está Marcos Felipe Almeida, integrante da carreira deEspecialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG), com atuaçãotécnica ligada ao planejamento e ao orçamento público.

Na prática, a SPEO funciona como uma das principais conexões entre oplanejamento governamental e a capacidade de execução do Estado. É nessaestrutura que são acompanhados os instrumentos que organizam o cicloorçamentário: o Plano Plurianual (PPA), que estabelece objetivos e diretrizesde médio prazo; a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que orienta asprioridades e a elaboração do orçamento; e a Lei Orçamentária Anual (LOA), queestima as receitas e fixa as despesas para o exercício. “O papel da Subsecretariade Programação Econômica e Orçamento (SPEO) dentro da Seplan é justamente ser osetor responsável pela elaboração e acompanhamento da execução orçamentáriarealizada pelos órgãos e entidades públicas”, explica Felipe.

Segundo ele, o trabalho também envolve acompanhar o desempenho das ações eantecipar necessidades de suplementação ou cancelamento de dotações, paramanter o orçamento o mais próximo possível do planejamento e das entregasesperadas pela população.

Participação popular ajuda a definir prioridades

Essa conexão também passa pela participação popular. Nas audiências públicas eno Sergipe Participativo, as demandas apresentadas pela sociedade sãoregistradas e sistematizadas para análise das áreas responsáveis peloplanejamento e pelas políticas públicas. Uma sugestão, porém, não entraautomaticamente no orçamento: precisa ser avaliada quanto à aderência ao PPA,viabilidade técnica, custos e disponibilidade de recursos. “Existe um caminhoentre a voz do cidadão e o recurso no orçamento: a sociedade aponta anecessidade, o planejamento organiza e prioriza, e o orçamento verifica ascondições para transformá-la em uma ação executável”, resume o subsecretário.

A construção da LDO e da LOA em Sergipe também conta com audiências públicas emecanismos de participação, reforçando a busca por aproximar as decisõesorçamentárias das necessidades apresentadas pela sociedade. Nesse processo, aescuta popular se soma à análise técnica para que as demandas sejam avaliadasdentro das prioridades do planejamento e da capacidade financeira do Estado. Depois da aprovação da LOA, começa outra etapa essencial:verificar se aquilo que foi planejado está, de fato, sendo executado. A SPEOacompanha a execução física e financeira dos órgãos e entidades estaduais,observando despesas, metas, alterações orçamentárias, evolução das dotações edesempenho das ações. Nesse processo, o Índice de Qualidade da GestãoOrçamentária (IQGO) funciona como instrumento de avaliação da qualidade daexecução, permitindo identificar pontos de atenção e subsidiar os órgãos na adoçãode medidas para aprimorar sua gestão. “Esse acompanhamento permite identificardesvios entre o planejado e o executado, subsidiando análises e, quandonecessário, ajustes na programação orçamentária”, afirma Felipe.

Do acompanhamento à entrega para o cidadão

O acompanhamento ainda precisa lidar com situações que surgem durante o próprioexercício. Quando aparece uma nova necessidade, por exemplo, a SPEO analisapedidos de créditos adicionais levando em conta a justificativa da despesa, acompatibilidade com o planejamento, a execução orçamentária e a situação fiscaldo Estado. São avaliados recursos disponíveis, fonte de financiamento, impactosobre as metas fiscais e a compatibilidade entre receitas e despesas, além depossibilidades de anulação ou remanejamento de dotações. “Dessa forma, aanálise busca garantir que uma nova demanda possa ser atendida sem comprometero equilíbrio fiscal e a capacidade de execução das demais prioridades doGoverno”, detalha o subsecretário.

O desafio, portanto, é fazer com que o orçamento seja mais do que uma previsãofinanceira. Para Felipe, o planejamento precisa estar permanentemente conectadoà execução e à avaliação dos resultados. “O objetivo é construir um orçamentoque não seja apenas compatível com a realidade fiscal, mas que consigadirecionar os recursos públicos para aquilo que efetivamente gera resultados emelhora a vida da população sergipana”, destaca.

Ao atuar nesse ponto de conexão, a SPEO contribui para que os recursos públicossejam planejados, acompanhados e ajustados de acordo com a capacidadefinanceira do Estado e com as prioridades definidas no planejamento. “Tambémprecisamos aprimorar cada vez mais a integração entre planejamento, orçamento,execução e avaliação de resultados”, ressalta Felipe.

Dessa forma, PPA, LDO e LOA deixam de ser apenas documentos técnicos e passam acumprir uma função prática: criar as condições para que as escolhas do Estadosejam transformadas em políticas públicas, investimentos e entregas para os sergipanos.